
O que vou contar nesta postagem não aconteceu na India, nem no Nepal, nem muito menos em outro pais como estes, aconteceu aqui, no Brasil, na frente da minha casa. Mas foi tão mágico e especial quanto se fosse em qualquer lugar estranho ou diferente como a India, além do mais que o momento me fez lembrar a viagem, todos os lugares que visitei e bem lá no fundo, me deu um aperto no coração, não sei se por saudade ou raiva de não ter ficado mais, mas sei que resolvi imediatamente escrever esta postagem.
Antes que achem que o tal momento foi explendido ou maravilhoso, bom, realmente foi para mim, mas talvez para quem leia ache-o insignificante e me ache infantil por dar tanto valor a algo tão pequeno e simples. Mas muitas coisas na vida é preciso ver, viver, presenciar, sentir, provar, degustar, ouvir e sentir para dar o merecido valor a coisa...
Bom, foi o seguinte:
A chuva não estava nem muito forte nem muito fraca, mas dava para se molhar. Eu, de louca que sou, resolvi sair de guarda-chuva do meu sitio para dar uma passeadinha. Ao sair, vi o quão gostoso estava aquele dia: chuvoso e frio, mas não um frio que incomodasse e sim, refrescasse, a terra molhada do chão(pois a rua não é asfaltada) já havia virado barro e eu, como sempre, estava descalça. Meti o pé na lama! Fiquei por muito tempo desenhando com o pé na lama que se tornava cada vez mais barrenta. Derrepente arremeçei o guarda-chuva longe e abri os braços, para sentir a chuva em minha pele, molhando-me... Naquele momento estendi a cabeça para o céu, fechei os olhos e senti cada pingo de chuva que caia em meus braços, pernas, rosto, barriga, pé e não pensava em nada,apenas na lama e na chuva e cheguei a conclusão de que a mais forte, bonita e magnífica ligação entre a terra e o céu, era as gotas de chuva, que saiam do céu e chegavam a terra formando o barro, algo tão disprezado pelas pessoas, no qual agora eu afundava os pés o mais que possivel, sentindo um pouco do céu e da terra. Naquele mesmo segundo, meu avô aumentou o som e eu pde ouvir, melhor do que nunca: a melodia, os instrumentos, a letra, o rítimo, o significado e o sentido que a maravilhosa música do Zé Rodrigues "Cadilac 52" me proporcionavam. Eu já tinha ouvido e reouvido a música e nunca tinha prestado a devida atenção, mas agora eu prestava atenção em tudo melhor, na chuva, na lama, na música, nos meus pensamentos, no mundo...
Fiquei mais um tempo ali, parada na chuva, apenas sentindo e curtindo como é bom estar viva, estar sozinha(naquele momento), ou melhor, estar comigo pela primeira vez, entendendo-me.
CADILAC 52
Pode botar a sua roupa melhor
Mais ou menos às oito horas eu vou aparecer
Só que eu não vou chegar como eu sempre faço
Hoje eu tenho uma surpresa prá você
Eu vou chegar guinado um Cadilac 52
Eu vou pegar a chave do meu pai
O velho à noite nunca sai e eu aproveito
Prá pegar o carro e vir te buscar
Vamos ver a lua,
Depois daquela montanha
Passeando nesse Cadilac 52
Atrás do volante, eu sou mais eu mesmo
E é por isso tudo que eu chamei você
Prá me conhecer como eu sou de verdade
E é hoje à noite que você vai me ver
Quando eu chegar guiando um Cadilac 52
Eu faço qualquer coisa por você
A gente quase nunca sai e eu aproveito
Prá pegar o carro e vir te buscar
Vamos ver a lua
Na beira da lagoa
Passeando nesse Cadilac 52.





